07/02/2012 por Alexandre Ferreira em Dicas. Nenhum comentário

“Planejamento é uma ferramenta administrativa, que possibilita perceber a realidade, avaliar os caminhos, construir um referencial futuro, estruturando o trâmite adequado e reavaliar todo o processo a que o planejamento se destina. (…) busca alcançar, da melhor forma possível, alguns objetivos pré-definidos.”
Wikipédia
Um dos grandes problemas dos microempreendedores brasileiros, e das pessoas de um modo geral, é a falta de um planejamento financeiro eficaz. Mesmo quando já existe algum controle, há uma certa dificuldade natural de provisionar despesas, já que muitas delas não são aparentes. Por conta disso, costuma-se gastar mais do que se recebe, gerando dívidas e, consequentemente, prejuízos que acabam por inviabilizar o negócio.
Por isso, é fundamental que montemos um orçamento anual, com estimativas o mais realistas possíveis para que consigamos comparar se o que está sendo recebido e o que está sendo gasto está de acordo com os objetivos da empresa.
Mas por onde começar? O primeiro passo é refletir sobre as perguntas abaixo:
Quanto vou receber?
Faça uma estimativa com base no seu histórico. Seja realista e sempre dê preferência para um cenário mais pessimista. Lembre-se que possuir um empreendimento é estar cercado de incertezas, com o surgimento de novos concorrentes e decisões do governo que interferem no andamento do negócio.
Quanto vou gastar?
Diferentemente dos gastos com folha de pagamento, locação, e outras que sabemos que ocorrerão e conhecemos seu valor, há muitas despesas que só nos damos conta de sua existência no dia a dia. Despesas eventuais e outras pequenas despesas (veja texto “O perigo das pequenas despesas”) não são fáceis de prever, mas devem ser levadas em conta na elaboração do orçamento.
Posso gastar mais do que recebo?
Sim, desde que isto seja planejado desde o início. Talvez haja um ano que você necessite investir em sua empresa para que ocorra um retorno deste investimento em um futuro próximo. Neste caso, pode valer à pena utilizar aquele recurso investido ou até fazer um empréstimo. Mas muito cuidado para não se afundar em dívidas com cheque especial, crédito rotativo do cartão de crédito e empréstimos que possuem altas taxas de juros e podem comprometer a estabilidade de seu negócio.
Analisadas estas questões, é hora de montar o orçamento anual de sua empresa.
1) Crie categorias para todas suas receitas e despesas. Assim, fica fácil visualizar para onde está indo seu dinheiro, ajudando-o a decidir, por exemplo, quais despesas devem ser cortadas para que seu orçamento não fique no vermelho.
2) Definidas as categorias, lance os valores previstos de suas receitas e de suas despesas, mês a mês, sem se esquecer das pequenas despesas e das eventuais. Se não souber a data exata que uma despesa deverá ocorrer, estime um valor para o ano e distribua este montante ao longo dos meses.
3) Compare as receitas com as despesas e veja se o resultado está de acordo com os objetivos do negócio. Caso não esteja, é hora de começar a cortar despesas.
Mas lembre-se: seja realista. Não adianta superestimar as receitas ou ignorar despesas só para o orçamento não ficar no vermelho. É melhor saber do prejuízo desde cedo para permitir a criação de um plano de ação que possa reverter tal situação.
Terminado o orçamento anual, não altere mais os valores totais (a somatória dos meses) de cada categoria. Dessa forma poderá ser verificado, ao término do ano, onde as estimativas foram superestimados e onde foram subestimados, bem como os motivos para isso ter ocorrido. Este aprendizado fará com que o orçamento do ano seguinte seja ainda mais próximo da realidade.
Agora é só comparar receitas e despesas realizadas a cada mês com seu planejamento anual e verificar se as metas estabelecidas estão sendo atingidas.